domingo, 5 de junho de 2016

OMS adverte sobre nova síndrome congênita ligada ao zika

Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira que o zika vírus pode estar ligado a uma nova síndrome congênita. Além de casos de microcefalia em bebês gerados por mulheres infectadas pelo zika, a OMS informa que o vírus, cujo principal transmissor é o mosquito do gêneroAedes, pode estar vinculado a outros problemas graves, como danos cerebrais, convulsões, irritabilidade, rigidez muscular (espasticidade) e dificuldades de visão e no sistema digestivo. Problemas que, segundo um grupo de especialistas da entidade, “podem afetar vários milhares de bebês”. Embora seja preliminar, o relatório alimenta a inquietação dos que acham que os Jogos Olímpicos do Rio devem ser adiados ou transferidos, porque o Brasil é o país mais atingido pelo vírus. O comitê de emergência da OMS vai avaliar a situação nas próximas semanas.

A equipe da OMS, formada por seis especialistas, fez a revisão dos resultados e das pesquisas sobre os efeitos do zika vírus em bebês e concluiu que, além de provocar microcefalia, a contaminação intrauterina pode levar também a outros transtornos graves. “A relação espaço-temporal dos casos de microcefalia com o surto de zika e os dados dos relatórios de casos e estudos epidemiológicos geraram um sólido consenso científico sobre o envolvimento do vírus em defeitos de nascimento”, afirmam em artigo publicado no boletim epidemiológico da OMS. Tudo isso apesar de geralmente o vírus, para o qual não há vacina nem antídoto, provocar sintomas leves ou ser assintomático.
O relatório da OMS –que em fevereiro decretou alerta mundial de saúde, exatamente pelo possível vínculo entre o zika e casos de microcefalia e outros transtornos neurológicos graves— ressalta que ainda são necessários mais dados tanto pré-natais quanto pós-natais, assim como resultados de laboratório e diferentes testes e análises para “definir adequadamente essa síndrome”. “O zika é uma emergência sanitária diferente porque tem consequências sanitárias e sociais de longo prazo, e por isso exige enfoque coordenado, de vigilância, intercâmbio de dados e pesquisa”, defendem especialistas como Anthony Costello, do departamento de saúde da mulher, da infância e da adolescência da OMS, e Pilar Ramon-Pardo, do departamento de doenças infecciosas e análise sanitária da entidade.
O organismo de saúde esteve durante a semana no centro da polêmica depois da divulgação de carta de mais de 150 cientistas e de manifestações de atletas de elite, como Pau Gasol, da seleção espanhola de basquete, pedindo a ela querecomende transferir ou adiar os Jogos do Rio, que começam em agosto no local mais atingido pelo zika. Até agora a OMS afirma que não há nenhuma questão de saúde pública que motive a recomendação de postergar as competições olímpicas.
Comitê de emergência estudará riscos dos Jogos
Apesar disso, o Comitê de Emergência do zika vai se reunir nas próximas semanas para avaliar a situação do Brasil e os riscos dos Jogos do Rio, Estado que terá grande presença de turistas. Isso foi dito, em carta, pela diretora geral da OMS, Margaret Chan, à senadora norte-americana Jeanne Shaheen, que tinha pedido uma resposta da organização de saúde à inquietação provocada pelo crescimento do surto.
“Dado o nível atual de preocupação internacional, decidi pedir aos membros do Comitê de Emergência Zika que avaliem os riscos da realização dos Jogos Olímpicos, programados atualmente para o verão [do hemisfério Norte]”, diz Chan em sua carta –que Shaheen publicou na Internet-, na qual explica que a OMS enviou um grupo de especialistas quatro vezes ao Brasil e que está em curso uma pesquisa sobre a situação atual.
Mas não é a OMS que decide sobre os Jogos; apenas emite recomendações de saúde. Por enquanto, desde a decretação do alerta sanitário mundial, não aconselhou a suspender viagens ao Brasil –apenas um entre os mais de 60 países e territórios em que há zika, embora seja o mais afetado-, ainda que tenha recomendado às grávidas que não viajem aos lugares em que tenha sido detectado o vírus, devido à associação do zika a casos de microcefalia. A mesma recomendação foi feita por muitas outras autoridades da área de saúde.
A OMS também aconselhou que quem viajar a regiões assoladas pelo zika vírus se abstenha de sexo ou o pratique de forma segura (com proteção profilática) pelo menos durante as oito semanas subsequentes ao retorno para casa, para evitar a transmissão sexual do vírus.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Informe Técnico 9 – Tabela de Conversão de Gotas de Medicamentos Controlados

Um dos principais Objetivos dos Informes Técnicos foi o de estimular o cumprimento correto das legislações relacionadas à dispensação dos medicamentos controlados. Sei o quanto é difícil, no exercício da profissão, entender e aplicar essas regras. Esses informes visaram facilitar o entendimento dessas regras. E para ajudar mais um pouco montei esta Tabela de Conversão de Gotas de Medicamentos Controlados que irá auxiliar no momento do Atendimento das prescrições de Medicamentos Controlados em Gotas.
Com esta tabela ficará mais fácil fazer os cálculos de dose, de acordo com a prescrição médica, na hora de dispensar alguns medicamentos controlados que são disponíveis na forma farmacêutica líquida que sejam em Gotas.

Pesquisa: acesso a diagnóstico de câncer de mama pelo SUS ainda é tardio

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Embora a qualificação dos exames laboratoriais feitos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) tenha recebido avaliação positiva por parte das usuárias do serviço, com 90% de aprovação, o prazo para acesso ao diagnóstico de câncer de mama ainda é tardio. É o que revela pesquisa inédita feita pelo Instituto Datafolha para a Fundação Laço Rosa, divulgada hoje (31), no Rio de Janeiro, durante o Fórum de Políticas para o Câncer de Mama.

A pesquisa buscou investigar os problemas registrados no estado do Rio de Janeiro para o tratamento do câncer de mama. “Ainda tem grandes barreiras”, disse a presidente voluntária da Fundação Laço Rosa, Marcelle Medeiros. O Instituto Datafolha entrevistou 240 mulheres, pacientes em tratamento de câncer de mama ou em fase diagnóstica, atendidas pelo SUS no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 2 e 10 deste mês, e verificou que o atendimento está concentrado na região metropolitana do Rio, em especial na capital.

A sondagem mostra que o tempo médio até o diagnóstico das mulheres entrevistadas oscila entre oito e nove meses e que uma em cada dez mulheres nunca fez nenhum exame preventivo. A presidente da Fundação Laço Rosa avaliou que o que é diagnosticado no estágio um, depois de nove meses, pode agravar a saúde da mulher com câncer de mama, pois  “O tempo, de fato, corre contra”. Por isso, Marcelle disse ser fundamental que se faça o diagnóstico no prazo mínimo de 60 dias, como estabelece a lei, “que também já é um tempo demorado demais”.

De acordo com a pesquisa, 19% das pacientes do SUS necessitam recorrer a plano de saúde ou exames particulares para complementar exames cobertos pelo SUS; 77% passam pelo atendimento de até quatro médicos, em vez de um único profissional que possa acompanhá-las do início até o final do tratamento. Outros resultados revelam que um terço das entrevistadas têm parentes de primeiro grau com câncer de mama e que, para elas, receber o diagnóstico e perder o cabelo são os piores momentos da doença.

Marcelle destacou ainda que as mulheres consultadas gostariam de participar de eventos referentes à doença. A mobilização registrada no fórum prova isso, afirmou. Ela defendeu também que as campanhas precisam estar alinhadas ao grau de escolaridade das pacientes, que é baixo, de modo a adequá-las ao público. Outro dado importante, segundo ela, é que 83% das mulheres nunca utilizaram o trabalho de organizações não governamentais (ONGs) que atuam nessa área: “Isso demonstra que não existe uma relação entre o poder público e as organizações da sociedade civil que poderiam, muitas vezes, estar ajudando o poder público nesse trabalho”. Falta, sustentou, uma política pública que inclua as organizações sociais nesse debate.

Marcelle disse que há um longo caminho a ser percorrido e temas para serem debatidos, visando a construção de uma solução conjunta entre especialistas, autoridades, associações médicas e entidades ligadas ao tratamento do câncer de mama no Brasil.

Termo de compromisso

Durante o fórum, começou a ser construído um termo de compromisso para melhoria do cenário atual. “O termo é colaborativo”, afirmou Marcelle. Ele será colocado para consulta pública, de modo a ser criado em colaboração com a sociedade civil, antes de ser levado a todas as esferas do poder público.


O fórum terá continuidade  pelas redes sociais, com o objetivo de construir as melhorias propostas. Segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), do Ministério da Saúde, o número de casos novos de câncer de mama deve alcançar quase 58 mil no país, em 2016.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Doenças infectocontagiosas podem afetar a saúde reprodutiva da mulher

As doenças infectocontagiosas são doenças de rápida transmissão provocadas por agentes patogênicos que são bactérias ou vírus. Cerca de 4,5 mil pessoas morrem por ano acometidas de algum tipo de doença infectocontagiosa. No público feminino, além dos sintomas comuns ao sexo, algumas delas podem ocasionar na fertilidade da mulher. 
Segundo o infectologista da Hapvida Saúde, Lourival Rodrigues, é preciso que as mulheres estejam atentas aos sintomas. “As doenças infectocontagiosas alteram a saúde da mulher, podendo afetar negativamente a sua função reprodutiva. Quando acometidas durante a gravidez, as doenças infecciosas assumem especial importância e colocam três questões particulares, como o tratamento da doença da mãe, o efeito da infecção no curso da gravidez e a influência sobre o feto não só da doença materna, mas também do tratamento utilizado”, ressaltou. 
Nesse público as doenças mais comuns pertencem a um grupo importante de doenças que são: toxoplasmose, sífilis, varicella-zoster, rubéola, cytomegalovirus e herpes genital. Além destas principais, existem outras doenças que podem ser transmitidas sexualmente como: blenorragia, infecções por clamydia trachomatis, verrugas genitais, tricomoníase vaginal, vaginose bacteriana, infecção pelo HIV e SIDA, hepatite B, brucelose e tuberculose.
O especialista orienta cuidados e formas de prevenir tais doenças. São elas:
1.      Imunização por meio de vacinas, tal como a rubéola, hepatite B e varicela antes da gravidez;

2.      No caso da toxoplasmose, a prevenção se faz da seguinte forma;

3.      Evitar o contato próximo com animais domésticos, nomeadamente gatos, e a utilizar luvas, se houver necessidade de manusear o recipiente dos dejetos;

4.      Utilizar luvas quando praticarem jardinagem;

5.      Ingerir alimentos bem cozidos, em particular carne e ovos;

6.      Lavar cuidadosamente as frutas e verduras;

7.      No caso da Rubéola, a vacinação generalizada é o principal meio de prevenção. Em cerca de 3% dos casos, a vacina não é eficaz e, por essa razão, justifica-se que na consulta pré-concepcional, se confirme a imunidade; 
8.      Mulher não grávida, não imunizada deve ser vacinada, devendo evitar a gravidez por 90 dias;
9.      Caso a grávida não estiver imunizada, logo após o parto deve receber a vacina. Não é contra-indicado o aleitamento materno.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ressuscitação Cardiopulmonar: divulgadas as novas diretrizes 2015

Foram divulgadas as novas diretrizes de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) pelas principais instituições mundiais na área: a a American Heart Association (AHA dos EUA), o European Resuscitation Council e o Resuscitation Council (do Reino Unido). A última publicação havia sido em 2010. As diretrizes atuais trazem as condutas para o atendimento da parada cardiorrespiratória (PCR) em adultos, bem como em pediatria e neonatologia. Além disso, também estão contidas as condutas para o atendimento cardiovascular de emergência, incluindo infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Saiba mais:

Novidades Gerais das Diretrizes

A primeira grande novidade destas diretrizes é o fim do ciclo de revisão a cada cinco anos. A partir de agora as recomendações serão atualizadas conforme novas evidências forem sendo consolidadas. Isso faz com que as descobertas científicas cheguem mais rapidamente ao paciente, garantindo maior qualidade na assistência.
Um novo sistema de classificação foi aplicado para as classes de recomendação e níveis de evidência:
Evidências ACLS 2015

É importante destacar que das 315 recomendações contidas na diretriz, apenas três tem nível “A” de evidência, e apenas 25% é recomendada como Classe I (forte). A maioria das recomendações (69%) ainda tem baixo nível de evidência (C-LD ou C-EO), e 45% é de recomendações fracas (Classe IIb).
As novas diretrizes também trazem atualizações que implicam em discussões éticas, pois todas são voltadas à discussão da suspensão das medidas de ressuscitação. Estes itens são:
  • Uso de RCP extracorpórea para PCR;
  • Fatores prognósticos durante a PCR;
  • Escores prognósticos para bebês prematuros;
  • Prognóstico para crianças e adultos após PCR;
  • Função de órgãos transplantados recuperados após PCR.

Duas Cadeias de Sobrevivência

Houve uma diferenciação entre a PCR que ocorre dentro e fora do hospital, criando duas Cadeias de Sobrevivência do adulto. Para o extra-hospitalar a ênfase é a resposta rápida a um evento repentino. Esse aspecto foi reforçado com a recomendação de incorporar tecnologias de mídia social que convoquem socorristas que estão dispostos e capazes de realizar RCP e estão próximos a uma vítima com suspeita de PCR extra-hospitalar (Classe IIb, Nível B-R).
Já no intra-hospitalar, o aspecto mais importante é a prevenção de eventos. Isso é pautado pela recomendação de usar Times de Resposta Rápida para adultos (Classe IIa, Nível C-LD) e para crianças (Classe IIb, Nível C-LD), além de incorporar sistemas de sinais de alerta, ou “Early Warning Scores” (Classe IIb, Nível C-LD).

Melhoria Contínua

E as diretrizes de 2015 reconfirmam a necessidade de incorporar melhoria contínua da qualidade no processo de assistência à PCR. As novas diretrizes são muito claras em dizer que “os sistemas de ressuscitação devem estabelecer a avaliação contínua e a melhoria dos sistemas de atendimento”. Isso implica em monitorar a qualidade do atendimento à PCR e os desfechos conseguidos. O objetivo é melhorar os resultados até o que for considerado ideal.

Sites das Diretrizes 2015:


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Dicas de alimentação para os trabalhadores no verão


As temperaturas já começaram a aumentar, os dias ficam mais longos e com o calor vem a falta de disposição, desânimo, diminuição da pressão arterial e até fraqueza ao longo do dia. A alimentação tem extrema importância para regular a temperatura corporal e melhorar a disposição.

A primeira dica é manter o corpo bem hidratado. Ingerir água durante o dia, aumenta o fluxo sanguíneo, repõe os líquidos perdidos com o suor, mantem a temperatura corporal ideal e hidrata o corpo, boca e pele. A água de coco também é indicada para o consumo, já que é rica em sais minerais que também são perdidos com o suor.

– Ingira de 2 a 3 litros de água por dia.

– Faça refeições leves. Evite as frituras e alimentos muito gordurosos, que dificultam a digestão e aumentam a sensação de cansaço.

– Ingira frutas da estação que são ricas em líquidos, vitaminas e sais minerais. Nesta época podemos encontrar em abundância: pitanga, jabuticaba, abacaxi, abacate, manga, laranja, uva e melancia.

– Faça pequenas refeições a cada 2 horas. Evite longos períodos em jejum, que podem aumentar a fadiga e causar desmaios.


– Evite a exposição prolongada ao sol. Se não tiver opção, utilize roupas leves, chapéu ou boné e reaplique o protetor solar a cada 2 horas.

Fonte: http://www.nutricard.com.br/dicas-de-alimentacao-para-os-trabalhadores-verao/

Atualização das taxas de partos na saúde suplementar

Dados informados pelas operadoras de planos de saúde à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que, em 2015, foram realizados 569.118 partos na rede credenciada, em todo o País. Desse total, 481.571 ocorreram por cirurgias cesarianas, o que corresponde a 84,6% do total de nascimentos realizados na saúde suplementar. Comparando com o ano de 2014, houve queda de 1% na taxa de cesarianas realizadas pelos planos de saúde.

A atualização das taxas de parto normal e cesáreo já está disponível no site da Agência, na área de informações e avaliações das operadoras. Nesta divulgação, a ANS está disponibilizando informações dos anos de 2014 e 2015, e os dados podem ser pesquisados por operadora.

Em 2015, havia 836 operadoras com plano médico-hospitalar em atividade no Brasil. Desse total, 708 (87%) realizaram partos. Cento e dezesseis (116) empresas não registraram partos no ano passado ou não tinham serviço obstétrico.

Na avaliação da diretora-adjunta de Normas e Habilitação de Produtos (Dipro) da ANS, Flávia Tanaka, a taxa de cirurgias cesarianas na saúde suplementar é alta, e exigiu mudanças que estimulassem a realização de mais partos normais na rede de atendimento dos planos de saúde.

“Por isso, a Agência estabeleceu, em 2015, a Resolução Normativa nº 368, com medidas que visam reduzir o número de cirurgias cesarianas desnecessárias no setor. As regras começaram a valer em julho do ano passado”, diz Tanaka. “Ressalto também que as taxas elevadas de cirurgias cesarianas no Brasil envolvem questões complexas e causas culturais, estruturais e econômicas. Por isso, não existe apenas uma única solução para essa questão, temos que combinar esforços”, completa.

A diretora-adjunta informa, ainda, que a ANS fará uma avaliação de impacto das medidas, do período de um ano, quando houver dados consolidados sobre parto do primeiro semestre de 2016.

RESOLUÇÃO 368 – A Resolução Normativa 368 representou um avanço por estabelecer regras para estimular o parto normal e obter a consequente redução de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar. A cesariana, quando não tem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Aproximadamente 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados a prematuridade.

Entre as conquistas, as regras ampliaram o acesso à informação pelas consumidoras de planos de saúde, que podem solicitar às operadoras os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico para tomarem decisões. A resolução também estabeleceu a obrigatoriedade das operadoras fornecerem o cartão da gestante, de acordo com padrão definido pelo Ministério da Saúde, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal. Com isso, a gestante leva com ela as informações sobre a sua saúde.

O cartão deverá conter também a carta de informação à gestante, com orientações e informações para que a mulher tenha subsídios para tomar decisões e vivenciar com tranquilidade esse período tão especial.

Além disso, cabe ainda às operadoras a orientação para que os obstetras utilizem o partograma, documento gráfico onde são feitos registros de tudo o que acontece durante o trabalho de parto. Nos casos em que houver justificativa clínica para a não utilização do partograma, deve ser apresentado um relatório médico detalhado. O partograma passa a ser considerado parte integrante do processo para pagamento do procedimento parto.

Há, ainda, a possibilidade de realização de cirurgia cesariana a pedido. Neste caso, além do relatório médico, a gestante deverá assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

De acordo com dados de março de 2016, existem 20,6 milhões de mulheres beneficiárias de planos de assistência médica com atendimento obstétrico no País, público-alvo dessas medidas.

PROJETO PARTO ADEQUADO – Para reduzir gradualmente as taxas de cesarianas no Brasil, é necessário combinar medidas de diversos atores da saúde suplementar e da rede de atendimento à gestante, estimulando e desenvolvendo novos modelos de atenção à mulher e ao bebê. Somente o alinhamento de ações pode propiciar o alcance do objetivo comum de promover a saúde e a segurança da mulher e do bebê.

Nesse contexto, existem as ações do Projeto Parto Adequado, iniciativa conjunta entre a ANS, Hospital Israelita Albert Einstein e Institute for Healthcare Improvement (IHI). O objetivo do projeto é, em conjunto com os 40 hospitais participantes, elaborar, testar, avaliar e disseminar modelos de atenção a parto e nascimento que favoreçam qualidade dos serviços, valorizem o parto normal e contribuam para a redução dos riscos decorrentes de cesarianas desnecessárias.


Em 12 meses do projeto, os resultados são bastante positivos: 21 hospitais participantes já atingiram pelo menos 40% de partos vaginais, alcançando marco importante no âmbito da iniciativa; e seis unidades já conseguiram reduzir as internações em UTI neonatal, com índices que variaram de 29% a 67% de queda.