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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Conheça mais sobre a Sífilis

             *Ana Luiza M arques, Larissa Brilhante, Rebeca Oliveira  
É uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum que geralmente entra no corpo por meios de cortes pequenos ou na mucosa da vagina ou do pênis.

Figura 01. Treponema pallidum 
A transmissão se dá através de relação sexual sem preservativos com um indivíduo infectado ou de mãe para filho durante a gestação ou no parto. A sífilis pode apresentar vários estágios: primária, secundária, latente, terciária e congênita, onde no primário e secundário, a possibilidade de transmissão é maior.
Na primária e nos homens, as feridas aparecem no prepúcio, enquanto nas mulheres aparecem nos pequenos lábios e na parede vaginal. Geralmente aparecem entre 2 a 3 semanas após o contágio. Não dói, não coça, mas pode vim acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. 

Figura 02. Feridas no prepúcio

Já na secundária, aparecem entre 6 a 8 semanas, nas palmas das mãos e nos pés, junto com dores musculares, dor de garganta e falta de apetite. 

Figura 03. Feridas na palma da mão e nos pés.

O indivíduo entra no estágio latente após o desaparecimento da secundária. Não apresentam sintomas e é dividida em latente precoce, onde a infecção aconteceu a menos de um ano e a tardia, a mais de um ano. A sífilis terciária retorna em pessoas que não seguem com o tratamento corretamente. Ela pode aparecer depois de 10, 20, 30 anos da primeira infecção e pode danificar os órgãos do organismo, como o cérebro, nervos, olhos, coração, fígado, vasos sanguíneos, ossos e as articulações. 

Figura 04. Sífilis terciária

E por fim, temos a congênita, na qual é transmitida da mão para o filho na hora do parto ou durante a gestação, por meio da placenta. A sífilis durante a gravidez pode causar aborto, má formação ou morte do bebê ao nascer. Em bebês vivos, os sintomas podem surgir desde as primeiras semanas de vida até mais de 2 anos após o nascimento, incluindo perda de audição e deformidade nos dentes. 

Figura 05. Bebês infectados apresentam rachaduras nos pés

COMO DIAGNOSTICAR QUE ESTOU COM SÍFILIS?

O exame de sangue VDRL indica os anticorpos que o organismo produz contra a bactéria. Quando o resultado do teste dá negativo, significa que a pessoa nunca teve contato com a sífilis, já quando o indivíduo está infectado, dá positivo, onde mesmo que ele já tenha se tratado e curado, o teste continua positivo, pois os anticorpos permanecem no corpo. E o FTA-ABS é um teste para confirmação do VDRL.  

SÍFILIS TEM CURA?

O tratamento mais indicado é a base da penicilina. Uma única injeção já é capaz de impedir a progressão da doença, principalmente se for aplicada no primeiro ano após a infecção. Caso não, deverá tomar mais de uma. Já o tratamento para sífilis congênita costuma ser feito com o uso de 2 injeções de penicilina por 10 dias ou 2 injeções de penicilina por 14 dias, dependendo da idade da criança.  

Figura 06. Penicilina



*Alunas do terceiro período do curso de enfermagem da Facipe

REFERÊNCIAS

COURA, José Rodrigues. Síntese das doenças infecciosas e parasitárias. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2008.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim Epidemiológico - Sífilis Ano V. 2016.
REVISTA DA MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA. A patologia da sífilis. 2016.
REVISTA UNILUS ENSINO E PESQUISA. Sífilis: Aspectos clínicos, epidemiológicos e diagnósticos no Brasil. 2016.
    

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Benefícios do amendoim


1) O amendoim pode ajudar na perda de peso

O fato de o amendoim ser um alimento rico em gordura e calórico pode fazer com que associá-lo à perda de peso pareça uma contradição. Mas não é bem assim, o amendoim, se consumido em quantidades moderadas pode ser um forte aliado na briga com a balança. Estudos indicam que pessoas que consomem castanhas (considerando o amendoim como castanha também) ao menos duas vezes por semana tem uma probabilidade menor de ganhar peso.

O consumo de fibras também é muito importante para quem deseja perder peso, ajudando na saciedade e no funcionamento do intestino e o amendoim é excelente fonte de fibras, contém 2g do nutriente em duas colheres de sopa.

O amendoim também contém uma combinação dos três macronutrientes essenciais – gordura, proteína e carboidrato – sendo assim, uma refeição completa, aumentando a saciedade e evitando a sensação de privação comum em dietas restritivas, que pode levar a fome e muita vontade de comer.

É uma ótima opção, em pequenas quantidades, para o lanche entre refeições, diminuindo a fome e evitando o consumo de outros alimentos industrializados carregados em açúcar e gorduras ruins.

2) O amendoim ajuda na construção muscular


O amendoim contém uma quantidade bastante razoável de proteínas, especialmente considerando o fato de ser um alimento de origem vegetal. As proteínas são formadas por aminoácidos que por sua vez são essenciais para a construção muscular. Para formar as proteínas musculares, o organismo demanda um bom fornecimento de aminoácidos, desta forma, para praticantes de atividades físicas que tem por objetivo o fortalecimento, definição ou hipertrofia muscular precisam estar sempre atentos à ingestão de uma quantidade suficiente de proteínas. Ao incluir o amendoim na dieta, nas quantidades adequadas, é possível, então, se beneficiar neste sentido.

Por ter alta densidade calórica, o amendoim pode ainda ajudar atletas que precisam de refeições e suplementos hipercalóricos. Mesmo para quem não busca aumentar as calorias, quando utilizado na quantidade correta e balanceada com o restante da dieta, ele pode dar energia e disposição para as atividades físicas melhorando a performance e os resultados, seja de emagrecimento, seja de construção muscular.

3) O amendoim protege o Sistema Nervoso


Em 20g de amendoim, uma porção pequena, encontramos cerca de 2,5 mg de niacina, ou vitamina B3, o que corresponde a 15% da ingestão diária recomendada. Assim o amendoim pode ser uma excelente fonte alimentar para garantir o suprimento adequado dessa vitamina.

O consumo regular de alimentos ricos em niacina foi indicado por estudos como sendo protetor contra o desenvolvimento de doenças como o Alzheimer e o declínio cognitivo que se apresenta com o avanço da idade.

4) O amendoim ajuda a proteger contra o câncer


Pesquisas demonstraram que devido à presença de algumas substâncias como fitoesteróides, ácido fítico, ácido fólico e resveratrol, o amendoim pode ajudar na prevenção do câncer de cólon, que é o terceiro câncer mais comum e um dos mais letais. Em um grande estudo de mais de 10 anos e 20 mil voluntários, comer amendoim pelo menos duas vezes por semana foi associado a um risco 58% menor de desenvolver câncer em mulheres e 27% em homens. Portanto, o consumo frequente deste alimento pode ser mais um aliado na luta contra essa doença tão grave que é o câncer.

5) O amendoim ajuda a prevenir cálculo biliar


Em outro estudo bastante grande, realizado por vinte anos com mais de 80 mil mulheres, mostrou que quem consumia pelo menos 28g de amendoim, pasta de amendoim ou outras castanhas por semana, apresentou um risco até 25% menor de desenvolver cálculo biliar.

6) O amendoim é rico em antioxidantes


Pesquisas recentes demonstraram que o amendoim contém quantidades consideráveis de antioxidantes, se aproximando das quantidades encontradas em amoras e morangos. As substâncias com efeito antioxidante mais importante são os polifenóis, especialmente o ácido p-cumárico. A concentração desse ácido pode ainda ser aumentada em até 22% quando o amendoim é torrado. Ele contém também vitamina E, outro potente antioxidante. Os antioxidantes combatem os radicais livres, cujos danos ao organismo levam ao envelhecimento precoce, doenças cardíacas, e até câncer.

7) O amendoim pode ajudar a prevenir o diabetes


Pesquisadores descobriram que consumir, pelo menos 5 vezes por semana, uma quantidade de 2 colheres de sopa de manteiga de amendoim, pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver diabetes em quase 30%. A pesquisa foi publicada no Journal of the American Medical Association. Um maior número de estudos e investigações sobre esse benefício do amendoim devem ser realizados, porém já podemos considerar o resultado como um potencial do alimento.

8) O amendoim é fonte de gorduras boas


Como vimos, a maior parte das gorduras presentes no amendoim são monoinsaturadas ou poli-insaturadas, se destacando o ácido graxo insaturado ômega-6. Esse tipo de gordura, também presente em alimentos como o azeite de oliva e o abacate, é comprovadamente benéfico à saúde cardíaca, melhorando níveis de colesterol total, colesterol ruim (LDL) e triglicerídeos. Além disso, as gorduras não podem ser suprimidas da alimentação como muitas pessoas podem pensar, pois isso pode afetar muito o metabolismo. A chave para uma dieta saudável está em obter a quantidade correta de gorduras, de fontes boas, como o amendoim.

9) O amendoim fornece vitaminas e minerais


Um suprimento adequado de vitaminas e minerais é fundamental para a eficiência das reações metabólicas e manutenção da saúde como um todo. O amendoim contribui, portanto, também ao nos fornecer boas quantidades desses nutrientes, entre eles o cobre, manganês, zinco, ferro, selênio, vitaminas E, B3, B6, B5 e folato.

A quantidade de manganês é bastante representativa, 30 g de amendoim contêm aproximadamente 0,8 mg do mineral o que corresponde a quase 40% da nossa necessidade diária. O manganês está envolvido em uma série de processos fisiológicos como remoção de substâncias tóxicas ao organismo, crescimento dos tecidos, cicatrização, etc.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Benefícios da canela


Canela vem de uma pequena árvore chamada Caneleira originaria do Sri Lanka, no sul da Ásia. Ela é uma das especiarias mais antigas do mundo e podemos afirmar que é uma das melhores especiarias do mundo, pois há muitos benefícios nela que podem ajudar na nossa saúde.
 possui uma quantia enorme de antioxidantes que ajudam na prevenção de inúmeras doenças. É uma especiaria que podemos usar para fins medicinais e para evitar certos sintomas. Para o uso e consumo, basta apenas uma colher de pó, uma vez ao dia.

Informação Nutricional:

  • Energia: 252 calorias
  • Água: 10 g
  • Proteínas: 3,9 g
  • Gorduras: 3,2 g
  • Carboidratos: 55,5 g
  • Fibras: 24,4 g
  • Vitaminas A: 26 mcg
  • Vitaminas C: 28 mg
  • Cálcio: 1228 mg
  • Ferro: 38 mg

Fonte: https://biosom.com.br/blog/alimentacao/10-beneficios-de-canela-para-saude/

terça-feira, 18 de julho de 2017

Sua menstruação está assim? Corra já ao médico


A menstruação pode dar sinais de como está a Saúde da mulher. Pouca quantidade de sangue expelido ou cor escura na hora da "regra" nem sempre são sinais ruins. No entanto, na dúvida, a dica é que a mulher corra imediatamente até um ginecologista, que é o especialista no sistema reprodutor feminino. No entanto, algumas características da menstruação podem mostrar que as alterações nela estão erradas. A cor expelida pelo sangue pode significar até problemas no útero, além de alterações hormonais.

A mudança inesperada na forma da Menstruação está aliada a um dos maiores medos dos tempos modernos, que são as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).

Outra possibilidade é que o uso de pílula anticoncepcional, que também tem capacidade de alterar as taxas hormonais. O mesmo vale para a chamada pílula do dia seguinte, que tenta evitar a gravidez da mulher.

Saiba as causas da menstruação escura e os cuidados que são necessários

Os tipos de menstruação podem ser marrom, borra de café ou até preta e podem ser causadas pelas seguintes questões:

1 - Útero alargado - Essa característica, segundo os especialistas, é a que teria mais associação com a cor escura da "regra". Isso é ainda mais comum, após as mulheres parirem seus filhos. Isso porque o útero, que faz parte do sistema reprodutor da mulher, pode demorar para se restabelecer após o parto. Esse tempo pode variar entre as mulheres. O sangue pode acabar se acumulando na região após o nascimento de um bebê, e, por isso, é comum que ele se torne mais grosso e venha até descendo por meio de placas durante algumas menstruações.

Algumas mulheres se assustam com a condição, que é vista como natural.

2 - A mulher está com problemas emocionais - Brigas familiares, muita ansiedade e tristeza são capazes também de alterarem as cores dessa substância. Isso ocorre porque o desenvolvimento de depressões é capaz de abalar as paredes do útero, fazendo a descamação das células. Isso ajuda na oxidação do sangue e faz com que a menstruação possa vir de cor preta, marrom ou borra de café.

3 - Hormônios 'enlouquecidos' e a temida menopausa - Nessa caso, a mudança da cor está ligada à função da tireoide no corpo humano. A tireoide é responsável, dentre outras coisas, por controlar A menopausa também pode causar o mesmo, mantendo assim por certo tempo a coloração da "regra" de maneira mais espessa e escura.


4 - As temidas DSTs - A coloração estranha na menstruação também pode ser motivada por doenças sexualmente transmissíveis. Nesses casos, ela, geralmente, também vem acompanhada de outros sintomas, como febre acima de 38 graus.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Doenças respiratórias

O inverno chega oficialmente em 21 de junho de 2017, Dia Nacional da Prevenção à Asma.

Com o frio, a tendência é de aglomeração em locais fechados, de desentocar aquele edredom guardado há meses e de nos enrolar em cachecóis… É aí que as doenças respiratórias atacam a população, e os vírus e as bactérias, além de certos descuidos, acabam levando a filas nos prontos-socorros e a um maior número de internações. Segundo dados registrados nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) em todo o país, apenas a chegada do inverno já faz crescer a demanda espontânea (consultas não agendadas) em aproximadamente 10% em relação ao restante do ano. Conforme o inverno avança, algumas cidades chegam a mostrar mais de 30% de aumento no volume de casos.

As pessoas portadoras de doenças respiratórias crônicas, como asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) ou rinite alérgica, com maior tendência a apresentar crises, precisam ser acompanhadas de perto, porque, se agravadas, as doenças podem levar a internações.

No Brasil, estima-se que existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos e dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que a asma é a terceira/quarta causa de hospitalização no país. O Brasil ocupa a oitava posição mundial em prevalência de asma, por exemplo, e registra cerca de 270 mil internações ao ano.

Segundo o otorrinolaringologista João Marcos Piva Rodrigues, do Hospital Paulista, as crianças e os idosos, por terem a imunidade mais baixa, são mais suscetíveis a doenças comuns no inverno, como gripes, resfriados, rinite alérgica, sinusite, faringite e bronquite, que podem estar acompanhadas de espirro, tosse, secreção nasal, coriza e lacrimejamento. Como medidas preventivas, o médico sugere evitar os choques térmicos (frio e calor); realizar a limpeza dos olhos e do nariz com soro fisiológico para hidratar; lavar as mãos com frequência, uma vez que elas são agentes transmissores de vírus e bactérias; sempre que espirrar ou tossir, cobrir a boca e o nariz com lenços descartáveis; e ficar o mínimo possível em ambientes fechados.
“No inverno, as pessoas sentem menos sede, mas o organismo continua precisando da mesma quantidade de água, por isso a recomendação é também beber pelo menos 1,5 litro de água por dia.”
Outro fator importante nesta época do ano é o ar seco, que desidrata as mucosas do nariz, garganta e faringe, podendo também causar inflamações.

Para melhorar esse ressecamento, uma boa alternativa são os umidificadores de ar. Os ionizadores também funcionam bem para as pessoas alérgicas a ácaros e fungos.

“Uma boa sugestão é colocar uma toalha de rosto úmida no quarto”, destaca o especialista.

Segundo o otorrinolaringologista, as soluções caseiras, tais como chás, canjas, mel, própolis, entre outras, apenas ajudam a diminuir os sintomas inicias e o desconforto, mas não curam.

Como dicas, o médico recomenda que as pessoas mantenham sempre o ambiente limpo e arejado, repousem, ingiram muitos líquidos para manter a temperatura do corpo estável, além de dar preferência aos alimentos mais leves, durante o período de febre e mal-estar.

Rodrigues também alerta para a importância de procurar ajuda médica antes que uma alergia, obstrução nasal ou falta de ar se tornem algo mais sério.
“Para garantir uma saúde melhor, é necessário criar hábitos saudáveis e evitar ao máximo qualquer tipo de alérgeno, tais como cigarro, ácaros, mofo, poeira, pelos de animais e produtos com cheiros fortes [perfumes, incensos, tintas e vernizes].”
O cardiologista Roberto Kalil Filho, por sua vez, destaca que as baixas temperaturas aumentam a incidência de infarto.
“Durante o frio, é mais fácil formar um coágulo dentro da artéria. As pessoas que têm maior risco de doenças coronárias – como hipertensão, diabetes e colesterol alto -, são obesas e não fazem exercícios devem se cuidar mais nesta época”, alerta.
Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

terça-feira, 23 de maio de 2017

Características e medidas de controle de vetores e de estruturas que possam promover a transmissão da bactéria leptospira no município de Camaragibe-PE.

*Jennifer Xavier da Silva

Principal vetor da leptospirose

Segundo a Secretaria de Saúde de Pernambuco a leptospirose ocorre subitamente, sendo esta uma doença de caráter infeccioso. Trata-se de uma zoonose que apresenta um peso enorme no sistema social e econômico, muitas vezes apresenta uma incidência muito alta em determinadas áreas, o que reflete em custo hospitalares além das perdas de atividade de trabalho. A leptospirose é uma doença letal, que pode chegar a mais de 40% dos óbitos nos casos mais graves. É uma doença relacionada pela fragilidade do sistema sanitário das regiões, causando uma infestação de roedores infectados. Geralmente a doença se apresenta com maior incidência nos períodos chuvosos, o motivo seria o fato desta, ser disseminada mais facilmente pela grande quantidade de água, o que facilita a ocorrência do surto.



Segundo o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde de Pernambuco (CIEVS/PE) em 2016 foram notificados 637 casos em no Estado, sendo 157 casos confirmados, 371 casos descartados e 106 casos em investigação. Já em 2017, foram notificados 65 casos representando assim uma redução de 75,1% quando comparado com o ano anterior. Em 2017 até o momento não foram confirmados casos de óbito por leptospirose. No entanto, em todo ano de 2016 houve 17 óbitos confirmados.

No ano de 2016 o município de Camaragibe apresentou 23 casos de leptospirose, já em 2017, até o momento, houve apenas 01 caso notificado no município. De acordo com a CIEVS/PE, o aumento do número de casos suspeitos de leptospirose é esperado nós períodos chuvosos, isto se deve-se a falta de integridade ambiental do município, pois passa-se a ser correlacionar com as ocorrências de alagamentos e/ou inundações. Portanto, graças a essas ocorrências os indivíduos ou grupos de pessoas acabam entrando em contato com a lama ou água contaminada, contraindo assim a doença.

           A leptospirose é uma doença bastante conhecida entre as pessoas. Como já foi comentado anteriormente é uma doença que se encontra comumente em assentamentos urbanos irregulares, algumas comunidades tem certo número de catadores que tendem a acumular resíduos sólidos em torno de suas casas, o que por muitas vezes favorece para atrair os ratos, que normalmente são roedores infectados (MESQUITA, 2016).

A leptospirose é uma doença infecto-contagiosa de característica aguda, podendo esta acometer animais e pessoas, é uma doença causada por uma bactéria conhecida como Leptospira, que vem sendo apresentada como causadora de adoecimento em comunidades com insuficiência nos serviços ambientais, ela também vem apresentando-se como característica fatal entre criança e idosos. Além dos homens, os animais domésticos podem ser contaminados pela doença, tornando-se assim hospedeiros acidentais, e como conseqüência da contaminação acabam adoecendo assim como os seres humanos. Os cães se contaminados pela bactéria, tendem a acabar servindo de reservatório e fonte transmissora da bactéria Leptospira para o ser humano, os suínos e eqüinos também estão nos grupo de animais contaminados pela bactéria e que por a portarem poderão transmiti-la para o homem (MESQUITA, 2016).

Pegamos como modelo, um estudo realizado em outras regiões onde podemos ver a eficiência de alguns procedimentos e correlacionar com a realidade do município de Camaragibe. Uma das partes mais interessantes do estudo foi a elaboração de uma educação ambiental, relacionadas com os problemas e dúvidas encontradas durante a entrevista residencial, o objetivo do material era de promover a educação em saúde com uma discussão  atrativa e de fácil entendimento, sendo um material onde se incluía imagem autorizada pelos moradores, essas imagens seriam das próprias pessoas entrevistadas na comunidade que serviram como banco de dados do estudo, contribuindo assim para uma linguagem acessível para as pessoas com baixo escolaridade, sendo esta uma condição observada durante o estudo. Ainda segundo este estudo, dois autores citados na literatura, sendo eles Lermen e Fisher afirmam que o fato de uma pessoa apresentar um grau de escolaridade maior, contribui para um melhor senso crítico da situação (MESQUITA, 2016).

De acordo com algumas citações do estudo de Mesquita, 2016; os animais que vivem em áreas urbanas, onde o sistema sanitário apresenta deficiência e precariedade, há geralmente um conjunto de lixos e esgotos a céu aberto, além de possíveis promiscuidades com alguns animais, acabam por construir mecanismos de risco para a saúde da comunidade, sendo assim descrita como população de risco. No material produzido para a comunidade se esclarece sobre as medidas de prevenção da doença e os sinais e sintomas da mesma, visando-se sempre diminuir as principais dúvidas da população entrevistada. Além de ser abordada práticas ambientais de prevenção para a doença, tais como evitar o acúmulo de água e de restos de alimentos em torno de suas casas (MESQUITA, 2016).

Para melhor implementar esse estudo, buscamos uma análise de mediadas apresentadas pelo site da Prefeitura de São Paulo, já que por muitas  vezes temos como referencias os casos caóticos apresentados principalmente em períodos chuvosos. Segundo apresentado pelo site, algumas medidas simples são cruciais para evitar a disseminação da doença, tal como guarda bem os alimentos, fecha bem as frestas, ralos e telhados de suas casas ou estabelecimentos comerciais, amarre bem o lixo e o coloque momentos antes da coleta, não jogue lixo em córregos, bueiros e terrenos baldios, não acumule caixas de papelão.

Alagamento em um dos bairros de Camaragibe

É interessante lembrar que a transmissão mais comumente encontrada é nos períodos de chuva, o que não descarta outras medidas já citadas para prevenção da doença. Em alguns casos a tal infecção pode ser adquirida quando fazemos uma faxina em locais contaminados com a urina do rato, ou ao mexer no lixo, e contatos com rios, córregos, fossas ou até mesmo nadando em represas e lagos também podem servir de mecanismo para a transmissão da doença. Em casos de enchentes, ao momento em que a água baixar desinfete o ambiente, tais como o chão, parede, e objetos que entraram em contato com a água e/ou lama da enchente, para limpar o local use uma solução de água sanitária sendo esta quantidade de 200ml em um balde médio de 20L de água, ao aplicar a solução aguarde 30 minutos e se necessário repita o procedimento, em seguida jogue água limpa para da continuidade ao processo de desinfecção, sendo esta limpeza realizada com o auxilio de luvas e botas ou sacos plásticos duplos que deveram ser envolvidos nas mãos e nós pés da pessoas que ira realizar o procedimento de limpeza do local.

 Alguns cuidados também devem ser tomados, como jogar fora alimentos e remédios que tiveram contato direto com a água contaminada durante a enchente. O tempo de adoecimento após o contato com a urina do rato é de 01 á 30 dias. Coloque sempre frutas, legumes, verduras e qualquer outro alimento na geladeira, tente não deixar restos de comida sobre a mesa e nem no forno ou fogão, lembre-se de retirar a comida do seu animal de estimação no turno da noite, inclusive os alpistes dos pássaros, se seu animal consome qualquer tipo de alimento o guarde em vasilhas ou jogue em sacos de lixo bem vedados. Não deixe água do seu animal exposto durante a noite, feche bem as torneiras do tanque da pia, além de consertar goteiras ou vazamentos. Evite entulhos, eliminando-os, e jamais deixe o quintal, garagem, quartinhos desorganizados, sempre os deixe livres de entulhos. Além disso, antes de dormir lave bem as mãos e escove os dentes, pois com essas simples medidas podemos evitar mordeduras durante a noite, principalmente nos casos de crianças.

O Site da Secretaria de Saúde de Pernambuco ainda acrescenta que não devemos beber água mineral, refrigerante ou cerveja diretamente de suas superfícies, o ideal é que elas sejam devidamente lavadas para que posteriormente ocorra o consumo. Além de sempre da preferência aos copos descartáveis ou canudos plásticos. Em relação à caixa d’ água, devemos limpa La e desinfeta La por solução de água sanitária a cada seis meses. E se houver suspeita de contaminação da mesma, o procedimento de limpeza devera ser realizado da mesma forma.

* Acadêmica do quarto período de enfermagem. 











 Referencias

Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, Governo de Pernambuco.

Manual de Vigilância - Leptospirose. Prefeitura de São Paulo Saúde; Secretaria Municipal de Saúde.

MESQUITA, Marilise Oliveira. TREVILATO, Graziella Chaves. SARAIVA, Luiza de Holleber. SCHONS, Michelle da Silva. GARCIA, Maria Isabel Ferreira. Material de educação ambiental como estratégia de prevenção da leptospirose para uma comunidade urbana reassentada. 2016.

Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco  secretaria Executiva de Vigilância em Saúde Diretoria Geral de Controle de Doenças e Agravos Coordenação de Prevenção e Controle de Zoonoses. Leptospirose Informe Epidemiológico SE 15. 2017


Centro de informações Estratégicas de Vigilância em Saúde de Pernambuco (Cievs/ PE). Alerta Epidemiológico: Leptospirose – Condutas relacionada à leptospirose em períodos chuvosos. 2016

sábado, 20 de maio de 2017

DIABETES NA GRAVIDEZ – GESTACIONAL


Por: Dr. Eduardo Machado de Carvalho 


A insulina é um hormônio produzido no pâncreas, tendo como função controlar a quantidade de glicose (açúcar) disponível no sangue para ser usado como fonte de energia e permitir que o excesso de açúcar seja armazenado. Sem a insulina, a glicose dos alimentos que você ingere não é absorvida pelas células e se acumula no sangue causando o diabetes.
O diabetes gestacional é uma doença que surge durante a gravidez, que pode ser diagnosticada no inicio ou durante toda a gestação. A gestante fica com uma quantidade maior que o normal de açúcar no sangue, podendo persistir ou não após o parto. O diabetes gestacional surge quando a gestante não consegue produzir a insulina em quantidade suficiente para atender a demanda tanto da mãe quanto do bebê. O açúcar em excesso no sangue pode ser transferido para a placenta e causar problemas para o bebê.
Causas do Diabetes Gestacional:


A principal causa é a dificuldade que a gestante pode ter em utilizar a insulina de modo eficiente, devido a resistência causada pelos hormônios da gestação ou pelo aumento de peso durante a gravidez.
Fatores de Risco:
A presença do diabetes gestacional determina uma gestação de risco e os fatores de risco mais importantes são:
– Idade materna superior a 25 anos;
– Baixa estatura;
– Presença de hipertensão arterial (pressão alta da mãe);
– História pessoal de diabete;
– Presença de parentes de 1º grau com diabete;
– Gestações anteriores com bebês muito grandes ou com má-formação;
– Retardo de crescimento do feto;
– Morte fetal ou neonatal sem causa aparente em gestações anteriores;
– Aumento excessivo de peso na gravidez atual;
– Altura uterina maior do que a esperada para a idade da gestação;
– Crescimento acentuado do feto;
– Presença de grande quantidade de líquido em torno do bebe durante a gestação;
– Obesidade ou excesso de peso;
– Raça: hispânicos, afro-americanos, indígenas americanos, asiático-americanos, indígenas australianos ou das ilhas do pacífico;
– Diabetes gestacional em uma gestação anterior;
– Glicose na urina;
– Parto pré maturo.
Sinais e Sintomas do Diabetes Gestacional:
O diabetes gestacional poderá não apresentar sintomas, mas se ocorrer estes podem incluir:
– Maior vontade de urinar;
– Sede;
– Fome;
– Infecções do trato urinário ou vaginal recorrentes;
– Fraqueza.
Diagnóstico:
De acordo com o estudo HAPO (2010), a triagem para o diabetes gestacional deve ser realizada no início da gestação e com 24 semanas:
1-  A glicemia de jejum maior ou igual a 92 mg, mas < 126 mg em qualquer idade gestacional (pois glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg é consistente com diabetes pré-gestacional, ou seja, a gestante já tinha diabetes antes de engravidar);
2- Com 24 a 28 semanas de gestação deverá realizar o TOTG (teste oral de tolerância à glicose) com 75 gramas de glicose, é o teste onde a grávida ingere um líquido açucarado e dosa a glicose no sangue após 1h e 2h da ingestão deste líquido. Caso tenhamos pelo menos um resultado anormal (seja no resultado de 1h ou no resultado de 2h), iremos considerar o diagnóstico de diabetes gestacional. Para que os resultados sejam considerados normais, a glicose sanguínea deverá estar dentro dos seguintes valores:
a) após 1 hora da administração oral de 75g de glicose: < 180 mg;
ou
b) após 2 horas da administração oral de 75g de glicose: < 153 mg.
Qualquer um desses dois resultados teremos o diagnóstico de diabetes gestacional.

Tratamento:



1) Dieta

– Ter uma dieta equilibrada;

– Comer bastante frutas, vegetais e fibras;

– Limitar a quantidade de gordura que você ingere e evitar alimentos com alto nível de açúcar;

– Comer porções moderadas de alimentos a cada refeição;

– Fazer um lanche com proteína e amido antes de dormir;

– Não ganhar mais peso do que o recomendado durante a gestação;

– Manter um registro de sua alimentação para compartilhar com o médico.


2) Exercícios

A atividade física ajuda o corpo a usar a glicose. A insulina que você produz será mais eficiente. Pergunte ao seu médico qual a rotina ideal de exercícios.

3) Exame do açúcar no sangue

Use um monitor para verificar os níveis de glicose. Mostre os resultados ao médico nas consultas de pré-natal.

4) Insulina

Se você tiver feito mudanças no estilo de vida e os níveis de glicose permanecerem acima do adequado, você pode estar precisando de insulina.

Acompanhamento

Depois do parto os níveis de glicose geralmente voltam ao normal. Você precisará fazer um exame de tolerância à glicose depois de 6 ou 8 semanas após o parto. Exercitar-se, amamentar e perder peso ajudam a reduzir a sua chance de desenvolver diabetes tipo 2 .

Mãe com diabetes gestacional tem uma probabilidade de 10% de apresentar diabetes mellitus tipo 2 imediatamente após a gravidez. A probabilidade de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 nos anos seguintes a gravidez foi estimada ser tão alta quanto 40% dentro de 20 anos.

Metas da Glicose durante o Tratamento:

– glicemia de jejum deverá ficar menor ou igual a 95 mg;

– glicemia após 1h da refeição: menor ou igual a 140 mg; ou após 2h da refeição menor ou igual a 120 mg.


Prevenção do Diabetes Gestacional:

As seguintes recomendações podem ajudar a prevenir o diabetes gestacional:


– Manter o ganho de peso normal durante a gestação;

– Ter uma dieta saudável;

– Exercitar-se regularmente (conversar com o médico antes de iniciar um programa de exercícios).

Fonte: http://medifoco.com.br/

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Mitos e verdades sobre as vacinas


A vacina é, reconhecidamente, uma das maiores conquistas da Humanidade. Desde que se tornou uma prática comum na sociedade, no século 18 (sendo que existem registros de métodos semelhantes praticamos na Ásia há mil anos), ela ajudou a salvar milhões de vidas apostando no uso da própria doença (uma porção enfraquecida do agente agressor) para estimular a prevenção. Doenças foram erradicadas à base de vacinas. Mas o retorno de casos de sarampo e outros males sinaliza que o movimento “antivacinação” pode estar tomando força. Uma força perigosíssima.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Os efeitos da bebida alcoólica no cérebro

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A bebida alcoólica age de forma diferente em cada um e, após algumas doses, sobe à cabeça, inevitavelmente. Os efeitos variam, podendo deixar a pessoa mais desinibida, alegre, leve, corajosa ou, ainda, agressiva e depressiva. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe um nível seguro para o consumo de bebidas alcoólicas. Nesse sentido, entende-se que o uso traz riscos à saúde, especialmente se a pessoa beber mais de duas doses por dia e não deixar de beber pelo menos dois dias na semana.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

“Como tive gêmeos por parto vaginal após uma cesárea”

Depois de passar por uma cesariana indesejada, Soraya optou pelo parto humanizado na segunda gestação.

(Arquivo Pessoal/Soraya Sandoval)

Soraya Sandoval é mãe de três meninas. A primeira, hoje com cinco anos, nasceu por meio de uma cesárea desnecessária e não desejada. As duas caçulas – gêmeas – vieram ao mundo após um intenso processo de busca por informações sobre o parto humanizado e pelas mãos de uma equipe preparada e muito acolhedora. Conheça essa história!

“Desde a minha primeira gestação eu queria ter um parto normal, mas eu pensava que tudo aconteceria naturalmente, que todos fossem apoiar essa decisão e que no momento em que eu entrasse em trabalho de parto a equipe do hospital esperaria o tempo que fosse necessário para minha bebê nascer. Mas infelizmente não foi assim que aconteceu!

Minha bolsa rompeu, começaram as contrações e fomos para o hospital. Chegando lá, imediatamente me examinaram e já me informaram que eu estava com 3 centímetros de dilatação. Gestante de primeira viagem, dando entrada na maternidade com pouca dilatação, sem acompanhamento de uma doula, sem informação e muita dor! Eu era um alvo fácil para a realização de uma cesárea desnecessária.

Assim que me acomodei no quarto onde eu passaria as próximas torturantes horas, já notei a frieza e falta de empatia da equipe que me recebeu. Esperava outro tipo de tratamento, afinal eu viveria o evento mais importante da minha vida: o nascimento da minha primeira filha. Mas para eles isso não importa. Eles fazem isso o tempo todo. Eu só era mais uma. E eles tinham pressa! 

Naquela maternidade não era permitida a entrada de mais de um acompanhante com a gestante. Eu queria muito que uma amiga fisioterapeuta ficasse comigo pelo menos durante as primeiras horas para me dar suporte físico e emocional. Eu não fazia ideia da importância da presença do meu marido naquele momento comigo, então escolhi que ela entrasse comigo primeiro.

Depois de umas 5 horas que eu já estava internada, o obstetra chegou para me examinar e me deu a triste notícia de que eu tinha dilatado muito pouco. Já bem desanimada e sem esperança, sem comer e tomar água, o médico aproveitou minha vulnerabilidade e me ofereceu uma cesárea. Sem titubear, eu aceitei. Naquele momento, eu pensava ter sido a melhor decisão a tomar. E talvez de fato tenha sido! Lá no fundo eu sabia que havia uma grande chance do meu parto terminar com muito sofrimento e trauma.

Fui para o centro cirúrgico e em 20 minutos eu já ouvia o choro da minha filha. Colocaram-na próximo ao meu rosto, dei um beijinho nela e logo a levaram para que ela fosse examinada e trocada. Minha vontade era pegá-la no colo, abraçá-la. Mas não podia. Enquanto me costuravam, eu ouvia seu choro e não podia nem olhar para trás para ver o que estava acontecendo. Depois que o bebê nasce, o tratamento da equipe do hospital com a mulher que já se tornou mãe não é muito diferente de quando ela chegou ainda grávida. As enfermeiras não davam a real importância para a minha dificuldade com a amamentação e de novo eu me sentia fraca e incapaz. Mas agora eu era responsável pela vida e nutrição de um ser: minha filha.

Quando eu voltei para a casa, inconformada com o fato de não estar conseguindo amamentar do jeito que eu gostaria, comecei uma busca incessante por informações a respeito de amamentação. Até que eu caí no assunto ‘parto humanizado’ e descobri que eu tinha passado por uma cesárea desnecessária e havia sofrido alguns tipos de violência obstétrica.

Fiquei fissurada pelo assunto e a partir de então não parei mais de estudar sobre. Prometi a mim mesma que se um dia eu ficasse grávida novamente, tudo seria diferente. Quando minha filha estava com 3 anos, meu marido eu já nos sentíamos preparados para ter um segundo filho – e em fevereiro de 2015 descobri que estava grávida de novo.

Mais informada e empoderada, procurei uma doula e comecei a pesquisar equipes humanizadas para assistir o meu parto. Só que, para minha surpresa, o primeiro ultrassom revelou que era uma gestação gemelar. Foi um susto e a novidade nos pegou de surpresa! Não estava nos nossos planos ter três filhos! E agora o meu tão sonhado parto normal? E agora nossa vida? E agora tudo? Eu nunca tinha me interessado por esse universo gemelar, nunca tinha lido nada a respeito e tive que começar do zero.

Encontrei um grupo de apoio a mulheres que desejam parto normal de gêmeos no Facebook, o “Parindo Gêmeos”, e ali eu me encontrei! Só tinha mulheres que haviam parido seus gêmeos da forma mais natural e respeitosa possível – um parto mais lindo que o outro! Aquilo me deu uma paz. Eu sabia que era possível parir e amamentar gêmeos. Agora só restava encontrar a equipe que toparia assistir um parto normal gemelar com cesárea anterior. Na cidade onde eu moro, nenhum obstetra topou. Todos diziam que deveria ser cesárea pelo simples fato de serem gêmeos e mais ainda pela cesárea que eu já tinha feito há 3 anos.
E foi no grupo do Facebook que eu descobri um obstetra humanizado que atende na cidade de São Carlos. Uma das moderadoras do grupo havia parido lá e foi assistida por ele. Depois de conseguir todas as informações que eu precisava, falei com meu marido e decidimos conversar com esse médico. No dia da consulta, aproveitamos para conhecer a maternidade e nos apaixonamos! Estava decidido: o parto ia ser lá!

(Arquivo Pessoal/Soraya Sandoval)
Agora era só seguir em frente e esperar a hora. As duas bebês estavam em posição cefálica, eu me sentia muito bem e estávamos muito saudáveis. Durante toda a gestação eu pratiquei yoga, dança do ventre e cuidava muito da alimentação. Minha grande preocupação era fazer essa gestação chegar a termo da forma mais saudável possível. Além de toda a preparação física com as atividades que vinha praticando, eu tinha toda informação de que precisava: sabia todas as indicações reais e fictícias para a realização de uma cesárea; conhecia praticamente todos os tipos de intervenções que poderiam ocorrer durante o trabalho de parto; sabia como respirar e me concentrar durante as contrações. Mas o mais importante: eu havia escolhido um obstetra humanizado e uma equipe humanizada, que realizavam seus atendimentos baseados nas mais atuais evidências científicas.
No dia 16 de setembro de 2015, eu entrei em trabalho de parto e fui para a maternidade com meu marido, minha doula e minha irmã juntos. Viajamos 120 km, mas foi muito tranquilo. Dei entrada na maternidade às 21h, com 4 cm de dilatação. No quarto em que me hospedei havia cama de casal, banheira e todos os aparatos para parto humanizado: banqueta, bola de pilates, barra.
Fui muito respeitada por toda equipe do hospital e estava cercada de amor e carinho das pessoas que escolhi para estarem comigo naquele momento. As horas passavam sem eu perceber. Eu estava muito calma e procurei não criar expectativas. O obstetra passava de vez em quando para ver como estavam as coisas, sempre muito respeitoso e aguardando o tempo das minhas bebês. Tive a liberdade de comer e beber o que eu quisesse; pude me movimentar e ficar na posição em que eu me sentisse melhor; entrar e sair da banheira, do chuveiro… Enfim, pude ficar onde eu preferisse. Tudo estava correndo super bem! Minha pressão arterial estava ótima, os batimentos cardíacos das bebês estavam excelentes, então não havia motivo para pressa. Só nos restava aguardar. E assim foi até às 20h do dia 18 de setembro.
Eu me acomodei na banheira com meu marido de frente para mim e ali nossas bebês nasceram, num lindo e tranquilo parto na água. Cercadas de amor e respeito. Primeiro a Mariana e, 11 minutos depois, a Heloísa. Vieram direto para os nossos braços, sob os olhares atentos da doula, da minha irmã, do obstetra, das enfermeiras e da pediatra. Todos em silêncio e num ambiente com pouquíssima luz. Nem parecia que tinha mais alguém naquele quarto além do meu marido, eu e as bebês. Ali mesmo elas foram examinadas pela pediatra e não saíram mais de perto de mim durante minha permanência na maternidade.
E assim fui curada! Curada de uma ferida que me causaram quase quatro anos antes desse parto, quando me convenceram de que eu não era capaz de parir um bebê. Não pari um, mas dois de uma vez. Eu só tenho a agradecer a todos que participaram desse parto, direta e indiretamente, e a todos que apoiaram nossa decisão. Em especial meu marido, que é meu companheiro de todas as horas, que se informou e se empoderou comigo para passar por esse processo da forma linda que foi”.